Você trabalha de mais recebe igual e no final, nem leva o crédito.
Alguém “esquece” a parte dele e você assume e o projeto anda e a liderança agradece sua “pró-atividade”, e você vira o “cara” que resolve.
Explode, um alerta: “acho que fui explorado!”
Tem algo matematicamente errado que você não consegue nomear e isso corrói.
É uma sensação de desproporção, mata a confiança, destrói as equipes. E te faz pensar: “Vale a pena continuar sendo bonzinho?” bonito por fora, pesado por dentro.
O BARCO
“Um barco com cinco remadores não afunda porque um rema mais. Afunda porque alguém para de remar… e ninguém corrige.”
Dividir tarefas não é sobre organização e nem logística.
Não igualdade mas sim equidade.
O QUE DOIS CARAS DE 2.300 ANOS ATRÁS VIRAM (E VOCÊ NÃO VÊ)
Platão percebeu algo incômodo: nem todo mundo deveria fazer a mesma coisa.
Aristóteles foi mais direto: justiça não é dar o mesmo. É dar o que é proporcional.
Traduzindo:
Igualdade = todo mundo recebe igual
Equidade = cada um recebe conforme contribui
Quando você divide “igualzinho”, ignorando capacidade, esforço e responsabilidade… você cria injustiça disfarçada de organização.
E aqui entra o ponto que incomoda: quem te sobrecarrega nem sempre faz isso de propósito, na maioria das vezes, está no automático, não é vilão de cinema, é alguém que pode estar com a alma desordenada, segue o prazer imediato (menos trabalho) ou o medo (perder status).
E você? você aceita o peso extra sem confrontar.
Pra não deixar cair.
Pra não travar o time.
Pra “resolver”.
E sem perceber… está sendo “bonzinho”. Ensina o outro que pode continuar. Está permitindo que a desordem vire a sobrecarga.
Exemplo:
Equipe de 4 pessoas:
1 altamente produtiva (você)
2 medianas
1 encostado
Carga igual pra todos?
Você assume mais os medianos fazem o básico o encostado aprende que não fazer nada funciona.
Resultado: você vira o idiota funcional do sistema.
A pergunta que dói
Na última divisão de tarefas, o que guiou sua decisão?
A razão (cálculo justo de capacidade)?
Ou o medo necessidade de agradar?(conflito)?
Se foi medo, você foi cúmplice da própria exploração.
A divisão injusta começa onde sua voz racional é silenciada pelo desejo de ser aceito, e se você continuar aceitando isso… não é só o sistema que está errado.
Você participa dele.
O CONFLITO
Quer ser correto. Não quer ser explorado.
Aristóteles chamaria isso de falha na virtude prática: você ainda não encontrou o meio-termo.
Ser equitativo é ser verdadeiro consigo mesmo. E aqui é a parte que dói: você só será tratado com equidade quando tratar a si mesmo com equidade.
Fazer demais te anula.
Fazer de menos te enfraquece.
O difícil é fazer o justo, e o justo exige clareza.
O exercício que muda tudo
Antes de uma reunião de divisão de tarefas, finja: que as tarefas serão sorteadas entre todos.
E pergunte-se: “se fossem sorteadas e eu pudesse acabar com qualquer uma tarefa, como estruturaria essa lista para que ninguém, incluindo eu… se sentisse lesado?“
Se depois disso você continua pegando a parte mais pesada porque “ninguém mais sabe fazer”, você não está sendo justo.
Está sendo um mártir, e martírio no trabalho não gera santidade, gera burnout e ressentimento.
Os três tipos de pessoa no ambiente a sua volta
Classifique:
Conscientes → vale dialogar
Neutras → vale estruturar com regras claras
Oportunistas → vale se proteger
Isso é estratégia.
Na prática:
Se não está claro quem faz o quê… alguém vai fugir.
Se ninguém vê o que foi feito… ninguém é cobrado.
Se você não fala… você autoriza.
PRÓXIMA DIVISÃO
E na proxíma divisão antes de aceitar, pergunte:
“Isso está proporcional ao que cada um entrega?”
Se a resposta for não, você tem três opções:
Suportar e adoecer
Impor limites
Ou …sair
Não há técnica que resolva falta de caráter no outro
Se você não deixa claro…
alguém decide por você.
Saber o que é seu o que é do outro e onde vocês se encontram.
Seja rígido com princípios, flexível com pessoas.
Seja claro com responsabilidades e sensível com contextos.
COMECE POR AQUI
Já na próxima divisão:
1 – Defina quem faz o quê, até quando
2 – Torne visível (lista, registro)
3 – Meça entrega real, não esforço percebido
4 – Corrija rápido (erro vira cultura)
5 – Posicione-se (silêncio = autorização)
6 – Pare de agradar. Comece a estruturar.
Divida com a cabeça fria e o coração aberto para o todo.
E aí o que você vai ajustar primeiro?
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